Escrever é físico

Matéria publicada no Segundo Caderno de Zero Hora, na edição de 20 de fevereiro, trouxe o depoimento de diversos escritores sobre o ato de escrever. Dentre eles, o que mais me chamou a atenção foi o escritor norte-americano Paul Auster. Algo de identificação, pois também acredito que a escrita, a boa escrita, provém de muito trabalho. É a labuta diária do jornalista, do escritor.


“Para mim, escrever é físico. Sempre tenho a impressão de que as palavras estão saindo do meu corpo e não apenas da minha mente. Eu escrevo à mão e a caneta está arranhando as palavras na página. Posso até ouvir as palavras sendo escritas. Muito do esforço em escrever prosa, para mim, está ligado a criar sentenças que capturem a música que ouço na minha cabeça. Demanda um bocado de trabalho, escrever, escrever e reescrever até captar a música exatamente como você quer que ela seja. Essa música é uma força física. Você não apenas escreve livros fisicamente, mas também os lê fisicamente. Há algo sobre os ritmos da linguagem que corresponde aos ritmos dos nossos próprios corpos” Paul Auster


A única diferença, claro além de não ser autora de best-selleres, é que no meu caso costumo trocar a caneta pelo bom e velho lápis.

2 comentários:

brincodepena disse...

o lápis arranha as páginas de forma mais prazerosa, né? o atrito é mais interessante. Também concordo, amiga. Na vida, a maior parte de tudo é transpiração.A intuição vem, quando há trabalho...
Como num filme que eu li: " prática leva a perfeição".
Beijos.

fernanda feltes disse...

Escrever é mesmo físico... e vai tão além das minhas primeiras intenções que sempre acabo me perguntando de onde vêm aquelas palavras, aqueles sons, aquelas escolhas. É um esforço subjetivo, quase inconsciente. É espiar idéias que às vezes nem desconfio que tenho. E como é maravilhoso!

E quanto ao lápis, também concordo, Dani. O lápis tem o romantismo de outros tempos, é nostálgico e muito mais poético, além de ter um barulhinho que eu adoro.